quarta-feira, setembro 11, 2013

Sempre foi assim

Dona Dilma sentou-se ao lado de Barack Obama numa dessas reuniões no exterior. Segundo a mídia, ela teria reclamado da espionagem da qual tem sido vítima por parte do governo dos Estados Unidos. Não sabemos o que Obama respondeu, mas não é difícil adivinhar.

Praticamente desde que o mundo é mundo, os governantes de um país espionam os governantes de outro país, usando os recursos tecnológicos disponíveis.

Temos o caso Dreyfus, durante a guerra entre a França e a Alemanha.Um oficial francês, de origem judia, foi desterrado por que passara informações ao estado-maior inimigo. O culpado era outro oficial, mas o caso ficou na história universal, o "affaire Dreyfus", que deu glória a Émile Zola.

Em 1964, tão logo o presidente do Congresso, Moura Andrade, declarou vaga a Presidência da República (Jango ainda estava no Brasil), uma comissão formada por pessoas do próprio Congresso foi ao Palácio do Planalto abandonado para dar posse a Ranieri Mazzilli.

Eu seu livro "O Governo Castelo Branco" (José Olympio, 1975), Luís Viana Filho, que viria a ser o chefe da Casa Civil do primeiro presidente daquele regime militar, conta que a turma entrou no Planalto às escuras, haviam desligado o registro geral do palácio. Um isqueiro foi aceso e seu dono sabia onde era o registro. Luís Viana Filho diz em seu livro: "Era o jovem secretário da embaixada americana, Robert Bentley" (pág. 46).

Como e por que um funcionário de embaixada estrangeira estava na comissão que daria posse ao novo presidente da República? Como e por que o diplomata americano sabia onde era o registro geral de luz do palácio, que havia sido desligado por Darcy Ribeiro, último ato que praticou como chefe da Casa Civil do governo deposto? 

 Carlos Heitor Cony
Membro da Academia Brasileira de Letras desde 2000. Sua carreira no jornalismo começou em 1952 no "Jornal do Brasil". É autor de 15 romances e diversas adaptações de clássicos.


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