domingo, maio 15, 2011

O que as cores dos carros dizem

Preto

"O senhor pode escolher qualquer cor desde que seja preto", dizia Henry Ford. Aplicada com pigmentos escuros, tintas à base de nitrocelulose secavam mais rápido. Como nesse Horch 853 (1936), até fins dos anos 1930, as montadoras ofereciam só algumas poucas lacas coloridas. Hoje, automóveis em cores escuras são os mais populares. Até porque, mais tarde, esses carros são mais fáceis de vender.

Cinza

A partir dos anos 50, as cores passaram a corresponder ao espírito da época. De acordo com o otimismo do milagre econômico, os motoristas preferiam tons suaves ou cores pastéis. Também por razões de segurança, tons leves de cinza-prata tiveram muitos seguidores. Esse DKW F93 (1958) cinza metálico com teto branco mostra uma tendência para pintura em dois tons, que durou até bem depois dos anos 60.

Azul

Somente no final dos anos 1930, os avanços tecnológicos permitiram oferecer uma paleta mais ampla de cores. Todavia, este Wanderer W23 (1939) só veio ao mercado em tons mais escuros. Outra característica era sua dupla cor: carroceria azul, para-lama preto. Carros azuis foram muito populares até a década de 1960. Como cor do céu, azul é positivo, expressa imensidão e infinito.

Dupla cor

Na década de 1930, as estradas eram cheias de pedregulhos. O para-choque e sua pintura tinham de ser protegidos contra os choques de pedras. Para o para-choque, era usado uma tinta preta à base de asfalto. O chassis era pintado separadamente da carroceria, que poderia ter uma cor diferente, conforme o desejo do comprador.

Roxo

Cores ousadas como o roxo só se encontram hoje em carros bastantes caros ou nos muito baratos. Em carros caros, o roxo permite a visão de muitos detalhes, como as entradas de ar laterais desse Lamborghini Diablo (1996). Além disso, alguém que compra um carro caro tem o direito de aparecer. Em carros muito baratos, por outro lado, tais cores são usadas para que se possa, pelo menos, aparecer.

Vermelho

No início dos anos 1980, os anos coloridos terminaram na Alemanha. Só alguns poucos individualistas queriam chamar a atenção com seu carro. O vermelho, todavia, permaneceu popular. Nesse Audi quattro (1984), ele cai muito bem. Afinal de contas, os anos 80 foram a época dos ralis. Hoje, vendem-se poucos carros vermelhos. Mas isso pode mudar, já que cada vez mais mulheres compram carros.


Laranja

O movimento hippie trouxe mais cores para as ruas. Nos anos 1970, laranja era uma cor bastante normal, já que afinal de contas, tudo era colorido: cortinas, telefone e também o carro, como este Audi 1000 Coupé S (1973). Assim como o vermelho, laranja é uma cor bem esportiva. Hoje, todavia, praticamente só carros do serviço público são laranja na Alemanha: caminhões de lixo e varredoras de rua.

Amarelo

Após a reunificação em 1990, o colorido voltou às estradas alemãs. Sobretudo na antiga Alemanha Oriental, onde os compradores avançaram sobre os carros em cores brilhantes, como este Audi S2 Coupé (1992). A pintura dos carros da Alemanha Oriental havia parado nos anos 1950: apenas tons pálidos. Hoje em dia, o amarelo ocupa uma das últimas posições na escala de popularidade.


Verde

Após a crise energética do início dos anos 70, um verdadeiro boom na venda de automóveis aconteceu em 1977. Em grandes estacionamentos da época, tinha-se a impressão de que mais da metade de todos os carros tinha cores berrantes. Quanto menor fosse o carro, mais colorido e chamativo ele era, como este Audi 80 GTE(1976). Carros verde-claro são uma raridade nas estradas de hoje.


Preto fosco

Já no final dos anos 60, nos EUA, um carro normal tinha tantos cavalos quanto um carro de corrida. Foi a época dos "muscle cars" e das cores brilhantes. Nas pistas de teste, todavia, o capô desses carros refletia tanto que os pilotos de prova disseram: pintem o capô de fosco. Isso se tornou uma tendência. Até hoje, capôs preto fosco são usados frequentemente nos assim chamados carros tunados.


Marrom

Até 2008, o marrom metálico foi pouco apreciado. Porém, a era dos carros pretos e prateados vai acabar em breve, dizem especialistas. Tons quentes como marrom, bege e dourado são a nova tendência. Tais cores refletem o espírito da época atual, marcada pela ameaça terrorista e crise financeira. A moradia e o carro se tornam cada vez mais "zonas de conforto", como nesse luxuoso Audi R8 (2010).


Ouro

Cores metálicas já existem desde os anos 30. No início, eram adicionadas escamas de peixe moídas à pintura. Porém, era necessário 1,5 tonelada de peixe para a pintura de um só carro. Mais tarde, foram utilizadas raspas de alumínio. A pintura metálica moderna surgiu somente nos anos 60. Este Auto Union Sp Coupé (1964) bronze metálico é do tempo das limusines cor de bombom.


Prata

Em meados dos anos 90, começou uma nova era de primazia para as cores de automóveis. Com o fim do século, acabou também o triunfo da cor vermelha. Tal como neste Audi TT (1995), teve início a era dos carros cinzentos e prateados. A primeira década do século 21 foi marcada por cores metálicas. A cor prata é esportiva, de fácil manutenção e lidera ainda hoje a lista de novos licenciamentos.


Branco

Embora o branco seja a cor do luto no Japão, especialmente em países com sol abundante os carros brancos são bastante populares. Por muito tempo, essa foi a cor de veículos de empresa na Alemanha. Hoje, o branco está em ascensão. Branco representa tecnologia e corresponde à cor da geração iPod-Facebook. O branco é a tendência atual, e continuará a ser nos próximos tempos.


Gradiente da cor

Nem todas as cores combinam com todos os carros. E também não combinam, certamente, com todos os proprietários.

A exposição "Gradiente da cor" pôde ser vista no
Museu Audi Mobile em Ingolstadt.


Fonte ► DW-World.de: Deutsche Welle

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