quarta-feira, outubro 28, 2009

As alegrias e contrariedades do presidente aniversariante


Os 64 anos bem vividos do presidente Lula foram comemorados com uma programação de encher os olhos e acelerar os batimentos do coração. Como na letra da canção da Inezita Barroso, “não faltava mesmo nada”. Na festa-surpresa organizada pela Primeira Dama, dona Marisa Letícia, com a banda tocando os parabéns para você, o presidente estufou as bochechas para tentar um som da corneta arrebatada do corneteiro. Não se ouviu uma nota. Mas, valeu a foto na primeira página dos jornais.

Dona Marisa Letícia exultou com o êxito da festa que patrocinou. E avisou que o almoço estava por sua conta. Rumou para a cozinha para preparar os pratos preferidos pelo marido, um bom garfo e também um apreciador do cálice de pinga desde os seus duros tempos de menino pobre, aluno do SENAI, que se credenciou a vaga de torneiro mecânico, ao custo do dedo decepado da mão esquerda e a escalada como o maior líder sindical de todos os tempos, fundador do Partido dos Trabalhadores, vitórias e derrotas até a eleição para presidente da República e a reeleição, da praga deixada pelo antecessor Fernando Henrique Cardoso, que abagunçou de vez o nosso sistema político

No outro prato da balança, um pacote de contrariedades. Na CPI de iniciativa da oposição para apurar as doações do governo ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra –MST - a tática de tentar polarizar os debates entre os simpatizantes dos Sem –Terra e os defensores do agronegócio, se der certo, deixará os governistas numa situação incômoda, um beco sem saída. E que poderá ser repetida em outras CPIs ou nos debates parlamentares em que o contraditório não favoreça o governo, que conta com o PT desconfortável no bloco conservador e busca consolidar a aliança com o PMDB, mais governista do que o próprio PT e muito mais favorecido na partilha do bolo das nomeações de postos que seduzem eleitores.

O Senado, tão necessitado de uma escovadela depois do desgaste do escândalo da roubalheira, anuncia que vai bloquear o pagamento de salário de 88 servidores, sendo 23 efetivos e 65 comissionados, que não foram registrados no recadastramento dos últimos dois meses e que são suspeitos de serem fantasmas, até aqui na fila dos afilhados da Viúva. Ora, um escândalo a mais, pequeno ou grande, a esta altura da pré-campanha, com o presidente e a ministra-candidata Dilma Rousseff acusados de romarias para fiscalizar obras de transposição do rio São Francisco, em caravana numerosa às nossas custas é como cutucar a ferida aberta.

Na ex-capital, sede do Mundial e dos Jogos Olímpicos de 2016, a guerrilha entre as gangues de drogas e as forças policiais transformou a vida da população em praticamente toda a cidade, no inferno do imprevisto. Já ninguém mais sabe se quando sai à rua, de carro, de ônibus, a pé se voltará. Inteiro e com a carteira no bolso.

Décadas de incompetência em todos os níveis, das prefeituras, governos estaduais e federal assistiram do palanque da apatia a maior migração do século do interior - das fazendas, sítios, vilas para as cidades - com a facilidade das estradas e dos ônibus. Na cidade os filhos estudam e arranjam emprego, fugindo da escravidão da roça, das fazendas que já não necessitavam de tantos empregados com a mecanização da lavoura e da ordenha das vacas leiteiras.

As gangues do tráfico estão equipadas com armamento moderno, até para derrubar helicóptero. O governo de Lua tem que ganhar esta parada a qualquer preço. Ou pode perder a eleição da sua candidata, ministra Dilma. E será um vexame internacional um fracasso na Copa do Mundo de 2013 e das Olimpíadas de 2016 - do nosso compromisso com o mundo.

Villas Bôas Corrêa

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