quarta-feira, agosto 27, 2008

Manguaça Cultural


Antigamente, no Brasil, para se ter melado, os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo.
Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse.
Um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou!

O que fazer?
A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor.
No dia seguinte, encontraram o melado azedo (fermentado).
Não pensaram duas vezes.

Misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo.
O “azedo” do melado antigo era álcool, que aos poucos foi evaporando e formou goteiras no teto do engenho, que pingavam constantemente.
Era a cachaça, já formada, que pingava.

Daí o nome “PINGA“.
Quando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos feitores, ardia muito.

Por isso deram o nome de “ ÁGUA-ARDENTE “.
Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e com vontade de dançar.
Então, sempre que queriam ficar alegres, repetiam o processo.
Com o tempo a fabricação da cachaça foi sendo aprimorada e caiu no gosto da população em geral.
Hoje em dia é artigo de exportação.
Do texto depreendemos que a escravidão teve seu lado positivo, economicamente.
Não fossem os senhores de engenho, e o descuido dos escravos, não haveria tanto comerciante ganhando dinheiro com a venda da Pinga.
Agora, toda vez que você ingerir um gole de Pinga, lembre que alguém suou muito para descobrir a Aguardente que lhe ardia nos lombos cortados das chibatadas.
Valorize quem descobriu a bebida, mas beba com moderação!


(História contada no Museu do Homem do Nordeste)

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