sábado, agosto 30, 2008

Malhação adolescente


A trajetória de atividades físicas da estudante Sarah Guimarães, 13, parece acompanhar seu próprio crescimento. Se na infância ela oscilou entre os esportes coletivos - como vôlei e futebol - e praticou natação, há aproximadamente um ano decidiu trocar o esporte pela academia. Após entrar para as aulas de jump e step, a estudante parece estar satisfeita com a nova fase. "Acho que a aeróbica tem mais a ver com a minha idade. Além de me identificar com a questão da dança no step, gosto muito do ambiente da academia, pois você conhece pessoas e vê gente bonita", relata.

Quando o assunto é a escolha da atividade física, a opinião dos especialistas é unânime: seja criança ou jovem, a pessoa deve praticar aquilo que lhe dá mais prazer. No entanto, alguns cuidados e indicações também devem ser considerados ao optar por uma determinada atividade. A começar pela própria inserção precoce no universo das academias.

"É importante ter cuidado ao colocar numa mesma sala adolescentes de 12 anos e adultos. Em primeiro lugar, a academia deve ter um preparo para isso. O professor precisa fazer um programa especial para o pré-adolescente e ficar atento ao ritmo e à carga da atividade. Afinal, o corpo nessa idade ainda está em formação", ressalta Marcelo Sternick, ortopedista pediátrico e presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia - Regional Minas Gerais.

A formação corporal é um importante fator para determinar a intensidade dos treinamentos em uma atividade física. Antes de completar o processo de maturação óssea, é recomendável que o adolescente evite cargas muito pesadas e jornadas de atividade intensas.

Caráter lúdico

"O próprio professor deve orientar quanto à periodicidade dos exercícios. Além disso, o abuso do sobrepeso pode gerar lesões. Mas se a atividade for feita com orientação, gera retornos positivos, como aumento da força muscular, resistência, capacidade aeróbica, condicionamento cardiovascular, diminuição da gordura corporal e equilíbrio dos índices de glicose", relata Ana Beatriz Maggi, professora de educação física e personal trainer da Rio Sport Center.

Vários fatores costumam atrair os jovens para as atividades aeróbicas. Eles vão desde a música - usualmente, hits favoritos dessa faixa etária - até a dinâmica fluida dos exercícios, além do caráter lúdico de alguns aparelhos, como é o caso da minicama elástica utilizada no jump.

"O jump, por exemplo, é uma prática que ajuda a reduzir o estresse, pois qualquer pessoa volta a ser criança através do exercício. No entanto, é importante que o orientador respeite a individualidade de cada um", esclarece Adail Lopes, professor de educação física e coordenador geral da academia VH Fitness.

Vale a vontade dos pequenos

No caso dos pequenos, a escolha do esporte deve obedecer, sobretudo, ao desejo da criança. Muitas vezes, os pais acabam idealizando uma determinada atividade para seus filhos, mas se esquecem do básico: escutar o que eles realmente querem. Além disso, há famílias que encaram o esporte como competição desde os primeiros meses da atividade, o que pode gerar uma situação de pressão física e psicológica na criança. "Penso que os adultos deveriam buscar maneiras de resgatar a brincadeira entre as atividades de seus filhos. Vejo crianças novas matriculadas em esportes competitivos que exigem uma maturidade muito grande, quando poderiam estar exercendo uma atividade lúdica", opina Cristiane Freitas Cunha, pediatra e presidente do Comitê de Adolescência da Associação Mineira de Pediatria.

É interessante, também, que a criança experimente várias atividades antes de optar por uma. Um curso básico, por exemplo, pode favorecer o primeiro contato dos pequenos com um leque de modalidades esportivas. "O interessante desses cursos é que as atividades são leves, como jogos de bola, corrida e brincadeiras. Daí, eles vão se especializar no esporte que mais agradar", sugere Behnam Talebipour, médico esportivo do Minas Tênis Clube.

A alternância entre diferentes tipos de esportes no período da infância também contribui para desenvolver a musculatura da criança de forma integral, o que acarreta um crescimento mais harmônico. "Até os 12, 13 anos, a criança deve evitar a repetição exagerada de um determinado exercício. É recomendável que ela passe por várias atividades em períodos menores."

O médico ressalta que a prática de esportes coletivos é uma boa maneira de trabalhar a sociabilidade da criança, atuando, inclusive, na formação da sua personalidade. E como saber se a atividade está sendo excessiva? A recomendação do ortopedista pediátrico Marcelo Sternick é observar o comportamento da criança. Fadigas e desânimos excessivos, além de baixo rendimento escolar, podem sinalizar o abuso. "É preciso reconhecer o limite de cada um."

O Tempo OnLine

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