segunda-feira, agosto 18, 2008

Café nosso de cada dia

Café tem, sim, vários benefícios para saúde, consumo de até 200 mg confere bem-estar, atenção e sociabilidade




NOVA YORK, EUA. Quando Howard D. Schultz fundou em 1985 a empresa que mais tarde viria a se tornar a rede de cafeterias de grande sucesso e mundialmente famosa Starbucks, nenhum assessor financeiro teve que dizê-lo que o café era a principal bebida dos Estados Unidos e que a cafeína era a droga mais utilizada pelos norte-americanos. Os milhões de consumidores que enchem as lojas da Starbucks para pedir um café expresso duplo, um café latte ou um café simples atestam diariamente a afirmação Schultz frente às paixões norte-americanas. Embora a empresa possa ter superestimado o desejo do consumidor em gastar US$ 4 (aproximadamente R$ 6,50) por um copo de café - ela recentemente anunciou que fechará centenas de lojas de baixas vendas nos EUA - um grande número de lojas imitadoras que agora vendem café, chá e outros produtos relacionados à cafeína refletem uma sociedade determinada a viver duro com o menos de sono possível.

Mas, como qualquer produto usado em excesso, os consumidores normalmente se preocupam com as consequências na saúde. E os pesquisadores prontamente colocam as mãos à obra. Dificilmente passa um mês sem uma pesquisa que elogie o café, o chá ou a cafeína como algo saudável ou uma pesquisa que o condene como matador em potencial. Será que todas essas pesquisas normalmente contraditórias estão certas? Sim. O café e o chá, no final das contas, são misturas complexas de químicos, vários dos quais podem afetar a saúde de forma independente.

Benefícios. Provavelmente o efeito mais importante da cafeína seja sua habilidade de melhorar o desempenho físico, mental e do humor. Com níveis de consumo até 200 mg, os consumidores relatam um senso melhor de bem-estar, felicidade, energia, atenção e sociabilidade, relatou Roland Griffiths, da Escola de Medicina Johns Hopkins, embora a cafeína em quantidades maiores cause ansiedade e indisposição estomacal. Milhões de norte-americanos privados de sono dependem da cafeína para ajudá-los a chegar ao fim do dia e conseguir dirigir com segurança. A droga melhora o senso de alerta e os reflexos. Nas pessoas que dormem pouco, ela melhora a memória e a habilidade de executar tarefas complexas. Para as pessoas ativas, a cafeína melhora a resistência em atividades aeróbicas e a performance nas atividades não aeróbicas, talvez porque ela maqueia a percepção de dor das pessoas e auxilia na habilidade de se queimar gordura como combustível, em vez de queimar seus carboidratos.


Estudos. Pesquisas recentes relacionadas com doenças só fazem aumentar a popularidade do café. Uma revisão de 13 estudos descobriu que as pessoas que bebiam café cafeinado, e não o café descafeinado, tinha um risco 30% menor de terem a doença de Parkinson. Outro estudo descobriu que, comparado com as pessoas que não bebiam café, aquelas que tomavam entre quatro e seis xícaras de café por dia, com ou sem cafeína, tinha um risco 28% menor de diabetes tipo 2. Esse benefício à saúde provavelmente vem dos antioxidantes e do ácido clorogênico encontrados no café.


Verdades e mentiras sobre a cafeína


Hidratação

Há muito se pensava que bebidas cafeinadas eram diuréticas, mas estudos mostraram que até 550 ml não alteram a urina.


Doença Cardíaca

Segundo cardiologistas da Califórnia, contrário à crença popular, existe pouca evidência de que o café ou a cafeína em doses típicas aumente o risco de ataque cardíaco, morte súbita ou arritmia cardíaca.


Hipertensão

A cafeína induz um aumento pequeno e temporário da pressão. Mas um estudo com 155 mil enfermeiras que bebiam café mostrou que a probabilidade não é maior.


Câncer

Cientistas descobriram que o café tem pouco ou nenhum efeito sobre o risco de câncer de rim, pâncreas ou mama. Os consumidores têm metade do risco de ter câncer de fígado

Perda Óssea

Fisiologistas descobriram apenas uma pequena redução na absorção de cálcio e nenhum efeito sobre a perda de cálcio 6Perda de Peso Embora a cafeína acelere o metabolismo, nenhum benefício a longo prazo sobre o controle de peso foi demonstrado

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Desinformação
Crendice cria mitos que deturpam a cafeína

NOVA YORK. Há vários anos, a população em geral tem sido inundada por informações erradas sobre a cafeína e sua fonte mais comum, o café. Em março, o Centro para a Ciência no Interesse Público, divulgou um elogio a relatórios científicos sobre a substância em sua revista "Carta de Saúde para a Ação em Nutrição". Algumas das descobertas elogiadas consideram fatores que estão na crença popular e atrapalham o entendimento sobre a cafeína, como questões relativas à hidratação, doença cardíaca, hipertensão, câncer, perda óssea e a perda de peso. Por exemplo, 27 mil mulheres de Iowa que tomavam entre uma e três xícaras de café foram acompanhadas por 15 anos no Estudo de Saúde da Mulher. Os pesquisadores descobriram que essa quantidade de café reduzia o risco delas terem doenças cardiovasculares em 24%. Apesar disso, esse benefício diminuía quando se aumentava a quantidade de café. (JEB/NYT)

Quantia

Uma xícara média de café contém, em média, 100 mg de cafeína. Já uma xícara de chá tem 40 mg da substância

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Produção

A produção de café chegará a 118,1 mi de sacas em 2007/08 e a 128 mi na safra seguinte, diz a Organização Internacional de Café

Fonte O Tempo OnLine
Fonte: Centro para a Ciência no Interesse Público

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