quarta-feira, julho 30, 2008

Acusado de fazer xixi na rua, o réu recorre ao STF

Senso de humor, como se sabe, é aquele sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.

Assim, melhor conter as gargalhadas diante do caso que se relatará a seguir. É coisa séria. Deu-se no Carnaval passado, na cidade mineira de Diamantina.

Júnio Cançado Dias pulava em meio a uma multidão estimada em 40 mil pessoas. Súbito, bateu-lhe uma vontade de urinar.

Resolveu esvaziar a bexiga na rua, à vista de quem quisesse ver. A polícia pilhou-o, por assim dizer, com a mão na “botija.”

Conduzido à delegacia local, foi autuado. Na seqüência, foi levado às barras dos tribunais pelo Ministério Público.

O crime? “Ato obsceno.” Coisa prevista no Código Penal, artigo 233. A denúncia foi devidamente recebida pela juíza da comarca local.

Julga daqui, recorre dali o xixi do cidadão Cançado Dias foi respingar, veja você, no STF.

Defensor de Cançado, Kilder Eustáquio de Araújo protocolou no Supremo um pedido de habeas corpus.

Pede o cancelamento do processo. A petição chegou ao tribunal em 21 de julho. Lá se vão dez dias. E nada.

No intervalo de 48 horas, o STF livrou Daniel Dantas de duas estadias na cadeia. Cançado, porém, não está em cana.

Talvez por isso ainda não tenha merecido o despacho redentor de um ministro do Suprema Corte.

O advogado do incontinente argumenta em seu arrazoado que, em pleno Carnaval, só havia dois banheiros à disposição do público.

Quantidade obviamente insuficiente para dar vazão às pulsões urinárias dos cerca de 40 mil foliões de Diamantina.

Bem verdade, admite o defensor de Cançado, que havia outros três sanitários. Mas ficavam fora do local onde se apresentavam as bandas de música.

O advogado arremata: “Concluiu-se que não foi dado nenhum amparo para a população local ou para os turistas que freqüentaram a cidade durante o Carnaval.”

A despeito disso, anota a peça de defesa, as vítimas da falta de estrutura de Diamantina são condenadas de “maneira absurda.”

Estima-se que cada ministro da mais alta corte do país receba anualmente um volume de 10.000 novos processos para julgar.

O fenômeno faz do STF o supremo retrato do caos do Judiciário brasileiro.

Uma imagem tragicamente acomodada sobre a mesa de cada um dos 11 ministros que integram o tribunal.

Como se fosse pouco, o STF agora é chamado a decidir até sobre a urina que carnavalescos vertem nas quinas de meio-fio.

Chega-se à constatação desoladora: para o sistema judicial do Brasil ficar bom, é preciso fazer outro.

Enquanto os especialistas buscam soluções, convém proibir a venda de cervejas e líquidos afins no Carnaval de rua.

Site do Josias de Souza

Um comentário:

New disse...

Coitado, uma xixizadinha fora de lugar não mata, né?
Nem agradeça os comentários. Não tenho tido tempo prá fazer do jeito que gosto. Enfim, deixei só meu rastro prá não esquecerem de mim...rsss...
Ah, lhe desejo um Feliz dia do Orgasmo. Divirta-se!!!... rsrsrsrs...
Beijocas e 'inté' amanhã.