terça-feira, abril 22, 2008

'Uma escola de horrores'


Foi como a revista Veja definiu a Escola Base, de São Paulo, em sua manchete do dia 06 de abril de 1994. Dentro da tão ilibada e respeitada publicação semanal, vinham os mais sórdidos detalhes sobre o famoso caso da Escola de Educação Infantil Base, um episódio triste que marcou o jornalismo sensacionalista e decadente do nosso país. E chocou o país.

Na ocasião, grande parte da imprensa publicou, de forma irresponsável, uma série reportagens sobre 6 pessoas que estariam envolvidas no abuso sexual de crianças. A revista Veja foi uma delas. As crianças eram alunas da Escola Base, localizada em um tranquilo bairro de São Paulo. Os acusados eram - Ichshiro Shimada e Maria Aparecida Shimada, donos da escola; dois funcionários e um casal de pais.

As denúncias apresentadas por alguns pais diziam que o perueiro da escola era quem levava as crianças - no período de aula - para a casa deste casal. Lá os abusos eram cometidos e, ainda por cima, filmados. O delegado que trabalhava no caso na época, sem verificar a veracidade das denúncias, e com base em laudos preliminares, divulgou as informaçoes à imprensa. Pronto. Estava feita a farra jornalística. O melhor enredo para aquele ano de 94, até entao sem o Real, sem a morte de Ayrton Senna e sem o tetra no futebol.

Com a noticia espalhada de forma sensacionalista e exaustiva, a população também deu seu veredicto. Consequentemente, revoltou-se com o caso. Assim, uma turba inconsequente se achou no direito fazer justiça com as próprias mãos, depredando e saqueando a escola. Os donos da Base foram presos. Seus rostos estamparam as principais edições dos jornais e revistas do país. Sempre retratados como monstros. Mas não eram. Só que ai já estava arruinada a vida de 6 inocentes cidadãos trabalhadores, julgados e condenados pela imprensa e também pela opinião pública.

A Justiça, que fez seu julgamento tardio, arquivou o inquérito por falta de provas. Não havia qualquer indício de que a denúncia tivesse fundamento. Muito pelo contrário. Mas os inocentes pagavam suas penas, mesmo em liberdade. Afinal, não há castigo maior do que ter sua índole julgada e execrada publicamente em todo o país.

Shimada teve 3 enfartes desde o ocorrido, fuma muito e diz que tem medo de andar nas ruas. Até mesmo para cumprir o simples trajeto diário que faz de casa para o trabalho. Em uma copiadora no centro de São Paulo. Sua mulher faz tratamento psicológico desde que esse triste episódio teve inicio. Os outros acusados sumiram. Foram todos morar no interior de São Paulo.
Os repórteres que cobriram o caso continuam exercendo suas atividades profissionais normalmente. Como se nada tivesse acontecido. Sem peso algum na consciência. Estampando as manchetes que acham mais convenientes. A revista Veja mostra na capa dessa semana que nada mudou. E se estão certos ou não, acho que nao cabe a mim julgar. Pois sou daqueles que ainda acredita que julgamentos devem ser feitos apenas pela Justiça.
Por Luiz Marcelo Diniz

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