terça-feira, dezembro 11, 2007

Estudo diz que gasto com CPMF é superior ao com arroz e leite


Os brasileiros vão gastar em 2007 mais com a CPMF do que, por exemplo, com arroz, feijão e leite. A conclusão é de um estudo divulgado ontem pela Fecomercio SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), com base na Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE.

De acordo com a Fecomercio, os brasileiros vão em 2007 gastar R$ 10,3 bilhões com arroz, R$ 9,1 bilhões com leite e R$ 5,7 bilhões com feijão. A arrecadação prevista com o chamado imposto do cheque é de cerca de R$ 38 bilhões este ano e R$ 40 bilhões em 2008.

Atrás da CPMF também estão transporte urbano (R$ 29,4 bi), carnes (R$ 29,3 bi), remédios (R$ 26,9 bi) e telefone fixo (R$ 21,7 bi). Ainda segundo a pesquisa, juntas, as famílias vão gastar R$ 171,3 bilhões com aluguel, R$ 56,6 com vestuário e R$ 40,3 bilhões com educação.

"O que a gente quer mostrar é a magnitude e a regressividade da CPMF", diz Fábio Pina, assessor econômico da Fecomercio.

"Quem paga imposto é o consumidor, porque ele vai para os preços. O consumo das famílias deve chegar a 1,2 trilhão este ano. Se falamos de cerca de R$ 40 bilhões de CPMF, um dos maiores gastos é justamente a CPMF, que representa 3,3% do total."

O professor da USP Simão Silber participou de outro estudo, realizado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que comparou os tributos indiretos, entre eles a própria CPMF, com diferentes rendas familiares.

A conclusão foi que, proporcionalmente, a parcela mais pobre da população paga mais impostos indiretos do que a mais rica. "É totalmente errado o que está sendo colocado que a CPMF vai ser para o pobre. Ela é um carrasco", diz Silber. Para o governo, a prorrogação do tributo beneficia os mais pobres.

Segundo os dados da Fipe, famílias que ganham até dois salários mínimos gastam 45,8% da renda com tributos indiretos. Já as que ganham mais de 30 salários mínimos gastam 16,4%. Entre famílias que ganham de dois a três salários mínimos, o gasto é de 34,5%.

Folha de São Paulo
FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REDAÇÃO

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