domingo, outubro 21, 2007

Poema da noite

Soneto

Violante do Céu

Se por não me lembrar de um crocodilo,

Que matar-me intentou com falso pranto,

Pudera sujeitar-me a rigor tanto,

Que habitara com os mais no egípcio Nilo.


Se por não me acordar daquele estilo,

Que foi já por meu mal infausto encanto,

Pudera padecer, causando espanto,

Quantos tormentos inventou Perilo.


Tudo passara enfim, tudo fizera

Por não me vir jamais ao pensamento

Quem fingindo chorou, matou fingido.

Mas que raro tormento não quisera,

Quem julga só pelo maior tormento,

A lembrança menor de um fementido.

Soror Violante do Céu (1602-1693) era uma freira dominicana que na vida secular se chamou Violante Montesino. Professou no Convento de Nossa Senhora do Rosário da Ordem de S. Domingos em 1630. Foi uma das poetisas mais consideradas do seu tempo, sendo conhecida pelos meios culturais da época como Décima Musa e Fénix dos Engenhos Lusitanos. É hoje um dos máximos expoentes da poesia barroca em Portugal. Leia mais

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