terça-feira, setembro 25, 2007

Pit Bull adota tigres

APELO: AOS QUE POSSUEM UM PIT BULL, NÃO OS ABANDONE.
AOS QUE NÃO CONHECEM A RAÇA, NÃO OS DISCRIMINE.
O PRINCIPAL CULPADO DE TUDO O QUE ESTÁ ACONTECENDO EM RELAÇÃO AOS ATAQUES SÃO OS PRÓPRIOS DONOS.
Obrigada,
Mary

“os animais não falam, mas sentem como a gente”...

2 comentários:

Anônimo disse...

tem que matar estas porras

vida de cao disse...

Os funcionários do edifício distribuíram as circulares em caráter de urgência. A pauta, destacada no texto, dizia: "Convocação para Assembléia Extraordinária. Assunto: Retirada do Pit Bull do condomínio".

Comentava-se que o dono andava com o cão sem focinheira, o que representava uma situação de perigo extremo, segundo alguns moradores. Os funcionários do edifício já não queriam mais transitar pelos locais onde "aquele cachorro" passava. As empregadas chegavam a passar mal só de pensar que teriam que descer de elevador com aquele "monstro".

É certo que o dono do pit bull arrumava encrenca com muita gente naquele edifício, pelos mais diversos motivos, mas o cachorro não tinha antecedente algum. Havia pessoas que sequer sabiam de sua existência, porque o tal não latia, não sujava o prédio, não pulava em ninguém, e nem revidava quando algum outro cão o ameaçava. Sua função era fazer companhia à idosa mãe do dono do cachorro.

Embora o cão morasse no edifício há quatro anos sem ter qualquer queixa criminal contra ele, naqueles dias os jornais e programas de tevê noticiavam exaustivamente ataques cometidos por animais dessa raça. As pessoas estavam em pânico.

Será que os cachorros teriam tramado a "revolta dos pit bulls", e a estratégia era começar a atacar e aterrorizar os humanos? Ou talvez não fosse nada disso, e uma dimensão sensasionalista tenha sido dada aos casos de acidentes com cães bravos?

Talvez os pit bulls tivessem resolvido imitar os dobermans, ou quem sabe os filas brasileiros, que certa vez também ameaçaram dominar o planeta, usando a mesma tática. Como não tiveram sucesso, desistiram dos ataques e caíram no anonimato.

Chegou o dia da reunião, e o clima era tenso. Os administradores do edifício não queriam responsabilidade pela morte que o animal poderia causar. Responder criminalmente por um acidente? Isso nunca! Preferiam largar o cargo.

Representando o réu, a mãe do rapaz compareceu à reunião, já que o moço fazia o estilo "o mundo está contra mim, só o meu cachorro me entende". Muitas pessoas compareceram, pois a vida das crianças do condomínio estava em perigo. Segundo os relatos da mídia, pit bulls são "comedores de criancinhas" em potencial. "Está no sangue dessas feras assassinas" - diziam.


A dona, advogando pela causa de seu cão, tentou de todas as maneiras explicar a inocência do animal. Mencionou que pit bulls são usados em terapia com idosos e crianças nos Estados Unidos, que qualquer cão pode atacar por diversos motivos, que as pessoas só estavam com medo de seu cão por causa das noticias, etc, etc. Prometeu que o cachorro seria conduzido com focinheira, e não utilizaria o elevador quando houvesse outros moradores nele.

A discussão acalorada sobre o destino do pit bull seguiu noite adentro. Havia os radicais que só aceitavam a expulsão do criminoso, e os moderados, que tinham compaixão e respeito pela idosa, mas pavor do cachorro. Havia até uma minoria que simpatizava com o bicho. Tolerantes e intolerantes confrontaram-se por horas.

Tudo isso até que a dona do pit bull achou que deveria esclarecer de uma vez por todas que seu cão não oferecia perigo algum. "Vamos resolver logo essa situação", disse ela. Ligou para o seu apartamento e pediu ao filho que descesse com o cachorro...

As mulheres colocaram-se atrás dos maridos. As solteiras, atrás do sofá. O morador do 83 saiu rapidamente alegando compromisso inadiável. A senhora do 34 disse que precisava subir, pois estava na hora do seu remédio... Não demorou muito e o rapaz chegou com cara de poucos amigos. O réu, que não sabia de nada, abanava o rabo alegremente.

Silêncio absoluto... Lá estava ele, o causador de todo aquele transtorno. As orelhas quase que inteiramente amputadas davam uma aparência mais assustadora ao demônio de quatro patas...

O dono do cachorro ficou à porta do salão e começou a reclamar de perseguição. Afinal, naquele edifício havia pinschers que latiam sem parar, shnauzers que atacavam e até um "salsicha" que vivia fazendo xixi no elevador. Para isso ninguém ligava...

Um morador levantou-se e acusou o rapaz de intimidar as pessoas com o cão, disse que aquela raça era desequilibrada. Até chamou ironicamente o moço de pit boy.

O acusado, propositadamente ou não, largou a guia, e o animal percorreu a sala cheirando as pessoas, pálidas e paralisadas. Uma jovem começou a passar mal e quase desfaleceu. A "fera", após cheirar justamente aqueles que mais a temiam, sacudindo a longa cauda em sinal de amizade, sentou-se ao lado da idosa.

"Essa foi demais, você mandou o cachorro nos atacar", vociferou a moradora do 104. A discussão começou, as pessoas perderam a "classe", passaram a gritar e se insultar. Os moradores que já tinham lá as suas diferenças aproveitaram a ocasião para tirar a limpo suas desavenças.

A reunião acabou tarde... E só deu para se chegar a uma conclusão:

"O pit bull era o ser mais equilibrado e menos perigoso daquele condomínio".

Pense bem antes de abandonar o seu cachorro por causa de um medo que não é seu!